terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um Natal Sem Bolas...Por Hilda Milk


Um Natal Sem Bolas

O que vou narrar aqui é deveras estranho para ser real e confesso que fiquei em dúvida se podia mesmo revelar.Espero não prejudicar niguém com isso.
Era dezembro de mil novencentos e bolinha e como sempre todos numa correria doida na cidade.
Não entendo direito isso, todos andam sem menor pressa durante o ano todo e, quando chega no dezembro as pessoas parecem ter de repente lembrado que, ou esqueceram a panela no fogo, ou tem que tirar o pai da forca, ou comprar o carro novo, comprar os presentes ,e acima de tudo, lembram do coitado  do perú.Hó! que dó.
Letícia não ligava muito para isso de festas porém fora criada dentro do judaísmo e algumas comemorações são de cunho cultural na vida de toda judia.
Roberto era um cara  bem humorado e inteligente, sempre foi de viajar e trabalhava com construção civil e foi numa destas convenções importantíssima que conheceu Letícia. Foi amor a primeira segunda e terceira...vista.Quando se deram conta, não queriam mais morar separados.
Quem diz que a vida é redonda? Os dois tinha ainda que contar suas histórias de família...
Leticia era judia e seu pai era um ribbí(rabino) e Roberto era de família católica praticante, tão praticante que até tinha dois irmãos padres.Mais confuso isso não poderia ser...
Pois é, os dois enamorados  combinaram o seguinte, como os pais dos dois  eram radicados em Connecticut a familia de  Roberto era de Fairfield Condado/Dambury, e  no mesmo estado os pais de Letícia moravam em  West Hartford...Sabiam que se quizessem viver bem e terem tempo calmo para se conhecerem, precisariam ficar longe da duas, pelo menos por enquanto, uma vez que em qualquer religião que se preze, eram unanimes em afirmar que a familia é um vínculo mais forte na existencia do ser humano. E assim foi... Foram morar na cidade onde Letícia estava fazendo seu mestrado.
Os dois se revezavam com suas respectivas familias...Se casaram segundo as tradições judaicas cumprindo todas as etapas que o cerimonial exigia...Quando questionado sobre a ausência de sua família Roberto mencionava qualquer desculpa e se causava alguma curiosidade a seu respeito os demais não falavam nada...Afinal eram mesmo apaixonados os dois.
Se casaram dentro da igreja católica seis meses depois com a cerimonia realizada por seus dois irmãos padres...Letícia também alegou qualquer coisa a respeito da ausencia de seu progenitores.
Quando  os dois cumpriram as obrigações matrimoniais, foram pra seu cantinho viver a vida...
Assim viveram seus quatro anos de casados os  dois e uma gata chamada Star, até "aquele" natal.
Os pais de Roberto vinham passar o natal com eles ,então montavam tudo de acordo ,com direito a árvore, presentes, perú e que mais fosse preciso.Tinham novidades também, iam ter um bebê e ambos não cabiam em si de tanta alegria, combinaram de dar a noticia  no natal.
Estava tudo correndo conforme o previsto porém, por intervenção do destino as coisas se precipitaram um pouco desta vez...No dia 24 de  natal a campanhinha toca e quem era?
Ali bem na porta, estavam os pais de Letícia ..._Surpresa!!!
Quase que Leticia desmaia de susto , sua mãe tinha um pequeno cão no colo que imediatamente se solta e corre pela casa feito doido atras de  star que estava tranquila em cima da lareira...Aquilo foi um corre corre, star não tinha tinha por onde escapar, derrubaram tudo que havia naquela sala, incluindo a árvore de natal.
Seus pais vieram de supresa pois construiriam uma sinagoga bem próximo dali e ele viera para conduzir a construção da mesma.
Agora era hora de  falarem a verdade, não havia como fugir mesmo porque, em poucos minutos e em meio aquela bagunça toda, apareceram os pais de Roberto.
_Então voces não são católicos?
_Então voces não são judeus?
_Sim ,somos  judeus e somos católicos.Respondeu Roberto
_Somos as duas coisas e somos também arquiteto e professora,marido e esposa,e somos também filhos de voces e em breve  seremos pais...
 A alegria foi tanta que ninguém mais se importou com nada.Claro que os festejos além de ser pelo nascimento de cristo era também, pela chegada de um neto que seria meio católico e meio judeu.
Foi um natal fantástico onde a crença de qualquer um era inspirada no amor e na fraternidade, no respeito e principalmente na vontade de serem felizes. Estes dois fizeram e fariam qualquer coisa para ficarem juntos.
E assim... Com a árvore completamente destruida pelo cãozinho que perseguia o gato, aconteceu aquele natal sem bolas.:-)
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