segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Homem Que Pensava Que Dar Um Beijo Era Fazer Uma Endoscopia... Por Paula Justiça


O Homem Que Pensava Que Dar Um Beijo Era Fazer Uma Endoscopia

Era uma vez um homem que pensava que dar um beijo na boca era como fazer uma endoscopia, por isso nunca punha a língua de fora perto dos lábios de uma mulher. Quando era criança aprendeu a falar muito tarde e, já adolescente, começou a apaixonar-se por todos os animais que a mãe - uma fanática defensora dos direitos de todos os seres vivos - metia em casa.
 As dificuldades em relacionar-se com os outros, principalmente com as mulheres, foram aumentando com a idade e cada vez lhe era mais dificil dirigir-se a um espécime do sexo feminino sem vacilar. Aprendeu a satisfazer-se sozinho nas páginas da Internet proibidas pelo pai, um fanático militante do Bloco de Esquerda, que tinha sido obrigado a ler todas as obras de Reich na adolescência, mas que nunca conseguira transpor os seus conhecimentos teóricospara a realidade, daí que só tivesse dois filhos, concebidos precisamente nas duas vezes em que ele e a mãe de ambos beberam demais numa festa de família e perderam o controle do corpo quando finalmente se encontraram sozinhos em casa. Talvez pelos pais não manterem relações de intimidade, o filho mais novo não conseguiu aprender a tê-las e sentia-se completamente indefeso de cada vez que uma mulher o abordava, independentemente da intenção com que o fizesse. O mais velho, como tinha estigmatismo acentuado e nunca usara óculos, tinha alguma dificuldade em distinguir os homens das mulheres, a não ser quando já estavam demasiado próximos dele, por isso mesmo acabou por ser violado por uma moça ruiva, com os dentes de cima salientes e com um QI muito acima do normal, que o ensinou a colher cogumelos e o obrigou a decorar todas as plantas comestíveis, para que se pudessem safar quando o caos se instalasse no mundo.
O mais novo só teve o primeiro relacionamento sexual com mais de trinta anos, com uma senhora que se apaixonou loucamente pelas sobrancelhas dele, mas a quem ele não conseguia de forma alguma satisfazer, pois tinha demasiado receio de ser tocado, chegando mesmo a dormir vestido com medo que ela o pudesse violar durante a noite, tal como tinha acontecido entre o irmão e a ruiva superdotada.
Conheceram-se na Biblioteca Municipal, à entrada, onde se recolhiam os fumadores nos intervalos das esperas e das leituras. Foi ela que lhe pediu lumes, uma, duas, três vezes, até começar a falar com ele como se o conhecesse há séculos.
A partir daí passaram a encontrar-se assiduamente, no café, na pastelaria, no cinema, no teatro. No inicio ele pensou que ela o perseguia, mas chegou à conclusão que tudo era mesmo obra do acaso, os horários coincidentes, o gosto pelo cinema e pelo teatro, o vicio de fumar, de tomar café, de ir à pastelaria da esquina a meio da manhã beber um chocolate quente. Acabaram por se sentar na mesma mesa, chamarem um pelo  outro quando iam fumar, comprarem bilhetes para irem os dois ao Fantasporto. Foi no final duma dessas sessões que ela lhe confessou que estava apaixonada por ele e aí começaram os seus pesadelos! Aceitou o namoro, ir para o sofá com ela na primeira noite em que o convidou para subir ao sótão onde morava, aceitou mudar a tralha e as tartarugas para casa dela, mas de dia para dia se tornava mais tenso, sentia falta  da Internet! Sim, o mundo real é exigente demais! Temos de contactar com pessoas, comunicar com elas, deixar que nos amolguem os espinhos,ser picados por elas. Era como se sentia com a senhora da Biblioteca, dois ouriços cacheiros na mesma casota!
Porque tinha ele aceite viver com ela, como podia ela continuar a gostar dele mesmo depois de o conhecer? Os mistérios do amor são complicados de desvendar, muitas vezes até paradoxais, irresolúveis! Devido a essa consciência e à apatia que lhe era natural, conseguiu morar com ela até ao momento em que lhe exigiu  que usasse a língua quando o beijava na boca. Não, isso era demais, que se servisse do seu corpo, da sua mente, das suas roupas, ele ainda conseguia aguentar, mas obrigá-lo a colocar a língua na boca dela, isso ele não conseguia suportar! Não era só por ela ter a boca tão grande, por não gostar de a ver tão de perto, é porque sempre supusera que os beijos se davam como se via nos filmes dos anos setenta, boca contra boca,mas sem intimidades. Sempre pensara que uma endoscopia seria igual ao beijo no Garganta Funda, filme que o pai tinha trazido do clube de video quando ainda era miúdo. Não, em filmes pornográficos ele não participava! Por isso fez as malas, acomodou as tartarugas no aquário e voltou para casa dos pais.
Ao menos aí podia passar a noite inteira em frente ao computador sem ninguém o incomodar!
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Este a paula começou,a Paula acrescentou e a Paula concluiu.:)


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Fruto Proibido é Mais Apetecido... Por Fátima


O Fruto Proibido é Mais Apetecido

Hoje a noite é tua, minha, nossa...vamos esquecer todos os pudores e experimentar coisas novas...
eu sei que tu também sentes curiosidade...tal como eu - respondeu Michel.
- Estás a falar de quê pá ? daquilo que estou a pensar ? - perguntou a Bia.
Sim... de swing... aceitas?
- Não sei Michel, olha do que te foste lembrar...passas a vida a dar-me volta à cabeça...não sei nada..já não sei quem sou - tremeu Bia...

Mas na realidade o sonho dela, desde há anos, era aprender as danças de salão! Biatriz não gostava de festas tradicionais nem de regras a mais, mas achava piada aqueles pares a rodopiarem tão certinhos, no salão dos bombeiros, aos sábados á noite.
Que inveja de dançar assim! Vá lá, o swing já não era mau de todo, tinha de aceitar!

- Qual é a tua, minha? Até parece que o swing não é muito popular por aqui, deixa-me só dizer-te que me parece que este tema está muito pouco explorado, o swing  na sua plenitude, implica trocas completas entre casais bissexuais.
Então e os homens, não se tocam porquê?

 Não faz pergunta dificil está bem?
Vá lá Michel podes marcar a "coisa" mas, não quero gente feia, nem fedidos, nem velhos e nem moteis vagabundos.
O rapaz fica olhando pasmo !
Isso é pra hoje ou vamos ter de selecionar os parceiros?
Quem sabe colocamos um anúncio no jornal com suas exigencias todas bem explicadas?
Ande logo, te prometo que na semana que vem vamos para as danças de salão.

Quem não estava a perceber muito bem a conversa era Bruno, sobrinho de Bia, que morava com o casal porque os seus pais tinham morrido num acidente de automóvel. Ainda moço, na casa dos 16 anos de idade, tinha pela tia uma paixão caladamente selvagem.  Não tinha a certeza se estava a entender aquela conversa, mas uma coisa é certa, não conseguiu deixar de ficar à escuta pela fresta da porta da sala.

Bruno não aguentou mais a conversa: a incerteza da tia, as palavras incoerentes do tal de Michel. Depois de verificar se o seu ipod tinha a bateria no máximo, abriu a porta.
- Tia vamos dançar o twist?

Como Michel quase o comia com os olhos, Bruno achou por bem enfrentá-lo e berrou:
- Se a minha tia não é suficiente para si procure outras, mas deixe-a em paz, ela não quer ter amantes em publico, já lhe bastam os que tem em privado!
O que os homens inventam para poderem ter outras descaradamente! Ai se a minha mãe fosse viva, de certeza que não deixava que a minha tia vivesse como um homem assim!
Michel, com aquele seu sotaque abrasileirado, declarou que ia sair nesse mesmo momento, que se ela não o acompanhasse acabaria tudo entre os dois. A tia olhou para o sobrinho e respondeu ao companheiro que não ia, que ficava, que estava farta de homens!
Depois do francês sair, Bruno voltou a insistir com a tia:
- Vamos dançar o twist?
Ela aceitou, mas só depois de ele prometer que não comia mais dióspiros, pois andava sempre mal disposto desde que o diospireiro começara a dar frutos maduros. Além disso, o médico do centro de saúde proibira-o de os comer. Mas quem é que acredita em médicos assim?!
Seja como for, a promessa só durou o tempo de dançarem, pois logo que a tia se cansou ele voltou para os dióspiros. Nisso concordava com Michel, o fruto proibido é sempre o mais apetecido.
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 Neste,  Maria De Fatima contou com aparticipação de Paulaj ,Hilda,Betina e Abade.:)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Paulo Paulada...Por Hilda


Paulo Paulada






Sabem um sujeito chato, arrogante e metido a besta? Pois é, este era Paulo e nem me pergunte seu sobrenome por que só o chamávamos  Paulo Paulada.
O cretino era era um "pé no saco" mesmo. E o pior é que nunca nos livrávamos dele.
Era nosso vizinho, isso deve explicar o motivo de não haver como ignora-lo.
Certa vez cogitamos até mesmo a possibilidade de nos mudar, só para não ter que toparmos com ele na escola ou no shooping ou no cinema enfim...
O paulo era uma "paulada".

Tudo que nós faziamos era só com o intuito de nos divertir e o Paulo era sério até na diversão.
Nossas mães eram simples donas de casa, já a  do Paulo uma renomada cientista especializada em biologia marinha.
Nossos pais  eram funcionários publicos ,o do Paulo um diplomata internacional ou seja...
Isso era tremenda deslealdade  para conosco, simples mortais.

Dizer que nossa irritação com o sujeitinho podia ser pura inveja de nossa parte era exagero... Bem...
Talvez um pouco sim, admito, mas que ele era emproado demais isso ele era.
Espere, deixe explicar por que me refiro sempre a "nós".
Eramos seis inseparáveis,com a mesma idade, morávamos na mesma rua e estudavamos na mesma escola.
Somente o Paulo era de fora, chegara ao bairro quando já tinha tres anos de idade.


O bairro era estranho, não aceitava qualquer um, nem mesmo uma criança. Todos os fins de semana havia foguetes, que o vizinho da casa cinzenta, que ganhara dinheiro a mais em Portugal, resolvia atirar para encher o céu de cores.
A dona Estefânia, enlouqecida por ter sido abandonada pelo marido e pelos filhos, atravessava nua a praça todas as madugadas,
a chamar pelo António.
A Felismina, com os socos de madeira a baterem na calçada, acordava toda a gente quando ia deixar a saca do pão pesa na maçaneta da porta. O marido dela costumava ser o último a deitar-se, podre de bebado, a cantar o operário em construção às seis da manhã, era um intelectual e por isso todos o respeitavam. A meio da manhã passava a peixeira, a apregoar a frescura do peixe, com os peitos escandalosamente expostos e o buço a brilhar ao sol. O Paulo tinha um fraquinho por ela, por isso sempre que podia escapulia-se para a esplanada para a ver passar. Era assim desde miúdo e como todos o gozávamos ele amuava constantemente, até se tornar impossível dirigir-lhe a palavra.

Claro que as coisas foram evoluindo, crescemos  todos e, a chatisse do Paulo também. Porém aconteceram coisas que foram aos poucos nos fazendo perceber o garoto solitário que simplesmente queria ser aceito pelos demais como um igual.
Paulo paulada era filho único e seus pais viviam tão ocupados com seus trabalhos que o largavam em casa aos cuidados de uma governanta.
Acho que se contar direitinho o tempo, não chegavam a ficar juntos, os três, dois messes em um ano.
Paulo convivia mais conosco mesmo.
Se iamos as férias, em geral era para acampamentos, se iamos para a casa de  verão da vovó.eu levava o "praguedo" todo comigo.
Quando na casa de outro era igual. Se os pais de paulada vinham para casa nas ferias, eles viajavam para longe.
Só Rosa não tinha casa de verão. Porém sua mãe organizava finais de semana com pic-nics no parque.
A vantagem de morar em cidade pequena é que todo mundo se conhece asssim qualquer um podia "olhar" a garotada.
Aiiii a Rosinha! Esta é minha prima.
Haviam duas meninas em nosso grupo.Uma era Rosa a outra era a Lucia, irmã caçula  do
Valter.
Voltemos ao assunto em questão agora.O Paulo.
Era um sábado de chuva estavamos na casa de Toni jogando videogame, a mãe dele vem com uma bandeija enorme de bolo de fubá quetinho
e umas canecas enormes de leite. Pareciamos uns mortos de fome ,sempre.
O engraçado e´não esquecermos o prazer que sentiamos em tudo,era muito bom aquilo. E bem no meio daquela comilança toda, ela entra na sala. Quando eu a vi,quase me engasguei.
Era a menina mais linda do mundo!
Todos nos apresentamos desajeitadamente,a boca ainda cheia de bolo porém, não deixei de notar que o Paulo estava mais composto que os demais e com toda a serenidade do mundo se dirigiu a ela com simpatia e elegância.
Por um instante tive a sensação que o Paulada cresceu ali diante de nós. Ele era um adulto e nós ,crianças bobas.
Toni era o dono da casa e por isso fez aquela cara de quem estava em vantagem sobre todos os demais.
Nos apresentou a todos sua  prima recem-chegada do Brasil.
A minha surpresa foi tanta que balbucei meu nome feito um retardado mental.
Niguém se riu de mim porque todos estavam sob o mesmo impacto.
Quando me lembro do vermelho que tingiu minhas faces me rio agora.
Na seguda -feira na escola estavamos todos eufóricos,queriamos saber mais da brasileira.
Toni disse que ela veio para ficar um ano.Que seus pais queriam que ela fizesse cursos preparatórios enquanto estivesse com seus tios.

Marina,seu nome era Marina.Todos os dias inventavamos uma desculpa para irmos a casa de Toni.
Percebemos que  no entanto que o Paulo não nos acompanhava nestas escursões extraordinárias. Ela tinha cursos na segunda ,quarta e sexta.
Demorou um pouco para compreendermos que o Paulada que também fazia cursos, e os tinha coicidentemente com ela!
O desgraçado estava namorando com ela bem de baixo de nossas fuças. Que raiva!?

Nos sentimos traidos afinal... Eramos amigos dele...Bem, talvez implicássemos um pouco com o garoto porém ,não era para tanto, praticamente nos ignorar por causa de uma lambisgoia!
Tinhamos que tomar uma atitude.E tomamos.
Fomos até a casa dele tirar-lhe uma satisfação.
Ele estava em curso. Guardamos nossa raiva misturada com mágoa para o momento apropriado.
Dois dias depois ele nos convida a todos para a sua casa,numa tarde de refresco e música.
Pensamos em não ir só por vingança mas, percebemos que a turma toda havia sido convidada e se não fossemos, iamos fazer papel de idiotas novamente.
O Paulo estava se despedindo de todos. Ficamos tão atonitos com a revelação que quase choramos.
Estavamos de mal dele  e agora...A coisa não tinha a menor importancia, nem queriamos saber de ele ir embora.
Demorou para entendermos que não era por causa de Marina que ele se afastara da turma e sim por causa da mudança.
Paulo já sabia que ia mudar-se  há tempos. Estava triste e não quis contar-nos.
Prometemos escrever-lhe sempre.
Estamos adultos hoje e cada um de nós seguiu um rumo na vida.
O Paulada na verdade se chama Paulo de Oliveira Junior.
Aprendemos o seu nome ao lhe escrever cartas e ainda hoje, graças a tecnologia,pelo menos uma vez por ano nos falamos em conferencia.E de tempos em tempos  nos encontramos todos.
A amizade é um bem precioso.

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Este foi escrito por Hilda em partilha com Paulaj.:)

sábado, 8 de outubro de 2011

Um Único Amor...Por Hilda


Um Único amor
Por vezes me deparo com tantas contradições que penso mesmo que fui enganada a vida toda.
Aquilo de amor verdadeiro,procurar a cara metade,o outro que completa. Isso é conto de fadas,engodo puro.
Sem contar que o Sujeito que canta a música "alma gemea"  já se casou umas vinte vezes.
Por outro lado é preciso pensar.Vasculhar a memória que,graças a Deus tenho mais ou menos preservada.
Vivemos tempos onde a moda é "ninguém é de ninguém" e "todo mundo é de todo mundo".E isso é verdade.
Como também é verdade que existem os que não são de ninguém de nem de todo mundo.
Lembrei de uma moça que se apaixonou por um rapaz,ela tinha apenas quinze anos e ele trinta e cinco , e eram vizinhos de porta.
Ela era bem namoradeira,ele um rapaz contido,sério.Demorou um pouco para eles dois se acertarem.
Porém antes dela fazer os dezoitos ela já estavam casados os dois.
Viveram uma vida harmoniosa de vinte anos.Quando eu os encontrava, imaginava que aquilo parecia ser a união ideal.
Deviam ter seu problemas claro mas, a confiança e o afeto fazia tudo parecer fácil de superar.
Marcio teve um AVC e veio a falecer no ano de 2000.E Silvia nunca se recuperou de sua perda.
As irmãs até que tentavam  arranjar-lhe um par em diversas ocasiões.
Ela ,sempre com bom humor respondia:
_Já sou casada.

Zangaram-se, porque ele viu no telemovel dela uma mensagem do vizinho da casa em frente.
Ele, sempre muito ciumento, insultou-a, ela esbofeteou-o, ele  ripostou, até que ela se passou e disse que se ía embora,
nem o choro dele a convenceu a ficar. Dizem que foi para a Amazónia e que vive numa tribo recondita, a cinco horas de viagem
de barco de qualquer indicio de civilização. Fez bem, os homens não prestam nem aqui é um sítio agradável para viver.
Era assim a vida Rui e Valeria.Se amavam também porém, não conseguiam dividir mais que o sexo.
Fora da cama eram um "desastre".
Ela era popular e gostava de se exibir.Porque  tinha que ser dificil? Se apaixonaram, um pelo outro, assim que se viram.
Dai a morar junto foi um "pulo".Se havia um problema qualquer, se agrediam não apenas com palavras mas,fisicamente também.
Sabiam ambos que isso tinha que acabar.E acabou.

Ariovaldo e e Diná estavam casados há muitos anos já. Levavam uma vida aparentemente tranquila, ambos tementes a Deus e nunca faltavam a igreja.
Cuidavam dos filhos de forma regular e eram firmes e amorosos. Estes tinham reputação moral ilibada. Enfim uma família modelo.
Quando os filhos se casaram,estes eram quatro ao todo, alguma coisa significativa deve também ter abalado o casal,seja a mudança, o silencio em casa, a sobra de tempo...Sei lá .
Ariovaldo passou a frequentar o bar da esquina com uma certa regularidade.
Agora ele estava aposentado e tal...
Diná lhe dizia que podia ir mas, que não perdesse o horário das refeições.
Porém com o passar dos meses isso foi mudando gradativamente, e ela começou a ter de ir busca-lo para almoçar, jantar, ou dormir.
Quando os filhos se deram conta, e isso demorou um pouco, pois estava todos cuidando de suas vidinhas, estavam seus pais, Ariovaldo e Diná tendo que serem ambos internados por alcoolismo.
E os filhos que foram criados com tanto rigor moral, tinham agora vergonha dos pais alcoolatras.

Não sei dizer se o amor existe, onde nos leva ou se nós é que o  levamos...
As coisas mudam o tempo todo e situações confrontam-se.
Talvez isso seja como cultivar plantas, regando continuamente  na medida certa, do contrário ou morre afogada ou seca.
Tenho uma teoria muito pessoal sobre o assunto.
Acho que talvez,só talvez...
Leve-se muito séculos até  que as metades verdadeira se encontrem e algumas até se "esbarram"
por ai porém, com tantas distrações, não se reconhecem facilmente.

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Neste Hilda teve partilha de Paula Justiça.:)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Simplesmente Um Sonho...Por Mia Torres


Simplesmente um Sonho


Kate olhando-o provocante, deslizou pela beira da piscina, entrando de novo na água, enlaçando a cintura de Manuel com as suas pernas
e abraçando-o pelo pescoço. Manuel, agarrando-a pelas ancas, puxou-a de encontro a si com força, fazendo-a sentir a sua virilidade pulsante. Aproximou a sua boca da dele e começou a brincar com os seus lábios, beijando suavemente, intercalando com pequenas mordidas no lábio inferior de Manuel que suspirava, tentando alcançar os seus lábios para os beijar.

Desculpem, eu não queria interromper, mas se calhar é melhor, quer dizer, a água, é melhor saírem da, hummm, água, da piscina, hmmmmm,  os micróbios, a água, quero dizer a piscina da água não é mudada, portanto, há doze dias, a água, bom, vou-me embora.

Perante estas palavras tremidas do guarda noturno, Kate fixou os olhos em Manuel, riu-se perdidamente e respondeu-lhe:
- Não tem que pedir desculpa, fique à vontade. Quando não aguentar o calor tem uma piscina de ondas no condomínio fechado.
A água está a ser tratada pela Jane.
Hummmm, ela vai adorar, então, não fique envergonhado, coloque uma mão até aos seios de Jane,
apertando um deles, massajando, enquanto desce os lábios pelo pescoço dela, fazendo-a suspirar, tocando com a ponta da língua na sua orelha.


Manuel já há uns meses que se sentia um joguete nos braços e nas pernas desta mulher, que só se excitava em lugares publicos e que fazia
 tudo para que fossem apanhados em flagrante delito. Mas porque é que ela teima em se comportar como uma actriz de cinema?
 Porque é que tem de fazeR cenas em frente a toda a gente, até um guarda noctuno? Porque não me deixa relaxar?
Porque me deixa neste estado de euforia física e depois nunca chegamos ao acto consumado?
Se tivesse coragem ia-se embora, mas não tinha, o medo da solidão e a difiduldade em conseguir arranjar outra companheira prendiam-no à loucura dela.
 Muitas vezes parecia-lhe que vivia num pesadelo, mas que durante o sono conseguia vislumbrar os sonhos dela.

Nessa manhã, depois de sair do trabalho, Gad (os amigos sempre o trataram assim, devido à sua profissão de guarda nocturno), não foi logo para a cama como era usual.
Anexa à sua casa tinha uma pequena horta, que tratava no final do dia, antes de ir para o trabalho.
As couves já estavam prontas a comer, grandes, bem formadas, sem defeitos, lindas, tão lindas que Gad adiava o momento terrível  de as arrancar da terra, cortá-las e pô-las num tacho com água a ferver. Escolheu a mais perfeita de todas as couves e comeu-a logo ali na horta, folha a folha, cada folha sendo um seio de Kate, uma vagina húmida, uma boca, um lábio da Jane que ele ainda não conhecia.

Enquanto se detinham neste pequeno diálogo, Jane sentiu a necessidade de ter um corpo masculino sobre o seu, carne dentro da sua carne e, sendo uma gaja ousada e sem tabus, fixou os olhos em Gad. Os movimentos dele no quintal excitaram-na, aproximou-se, reparou na excitação que dominava o seu corpo, pelo volume que se notava nos seus boxes, e sussurrou-lhe ao ouvido o quanto o queria e pediu-lhe para
subir para o quarto. Gad sorriu e negou com um movimento da cabeça.


Mas o jogo estava prestes a terminar, pois a excitação daqueles quatro já exigia mais do que pequenos beijos e carícias.
E tudo se desenrolou quando Kate (a mais atinada), depois de Jane ter perdido novamente a pobre cabeça, apercebendo-se do desejo desta por Gad, lhe ordenou que fizesse amor com ela
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Mia Torres escreve este em partilha com Abade, Paulaj e Maria de Fatima

domingo, 2 de outubro de 2011

Psicose Conto Partilhado

Psicose

Rafaela estava sozinha em casa.
Pensava no que faria para o jantar. pois o marido iria chegar mais tarde.
Ela já ligara para o celular de Marcelo bem umas seis vezes hoje.
Eram casados os dois, tinha quase um ano.
Deixar o emprego foi uma decisão precipitada, agora ela roia as unhas quase o tempo todo.
O marido, por sua vez, pensava consigo:
_Se ela não arranjar um emprego logo,  eu vou me atirar da ponte.

Marcelo ia a caminho de casa, e pensava." E agora, o que vamos fazer ? As contas para pagar aumentam, ela deixou o emprego, e eu vou ser despedido. A mãe da Rafaela quer fazer uma operação de mudança de sexo e conta com o dinheiro da filha - que não existe. O nosso cão precisa de uma operação à próstata. O carro está velho. Precisamos de dinheiro urgentemente. Vou pedir algum ao Sr. Maffiosini, ele parece simpático e generoso, gosta de ajudar as pessoas..."

Talvez tenha sido milagre, mas quando Marcelo abriu a única carta que tinha debaixo da porta ficou boquiaberto e completamente incrédulo, acabavam de lhe comunicar a morte de um tio podre de rico, de quem ele era o único herdeiro! Saíra-lhe a sorte grande! Chamou por ela e pelo cão, com o coração a bater a duzentos à hora, correu para eles, pegou nela ao colo e disse, entre risos e soluços: - Vamos ser felizes!

 O cão Gerónimo, aos pulos, também queria ir para o colo do seu dono. "Sim, sim, vamos ser felizes, eu esperava este momento há tantos anos". Em um dos saltos, Gerónimo conseguiu morder o rabo de Rafaela, que caiu estatelada no chão, após o que noutro salto, ficou ao colo de Marcelo. "Vamos ser felizes!".

O dinheiro não traz felicidade, pensava Rafaela, só um cão e um homem podem pensar semelhante coisa! Agora a minha mãe vai ficar meu pai, eu vou ocupar o tempo a cuidar de animais abandonados, o Gerónimo vai ser operado à próstata e vai gostar de cadelas novamente, Marcelo vai comprar um carro novo e ainda vai emprestar dinheiro ao Sr. Maffiosini para este casar a filha. Ser rico também é complicado, os outros invejam-nos, temos de controlar os gastos e pensar no futuro, para não nos tornarmos em novos pobres.

Faremos todas as viagens, comeremos em todos os restaurantes da moda, passaremos nossas féria em Nice, na França.
Agora todo dia inventamos um novo estímulo para levantamos da cama.
Que porcaria isso de perseguir a felicidade.
Estamos agora como queríamos e o que mais falta?!
Outro dia Marcelo  me veio com uma ideia, quer ir ao Tibét, onde o frio mata só de pensar, a comida escassa e dorme-se quase sem coberta.Vamos alcançar o nirvana por coisas banais e bobas, como o simples ato de respirar. Coisa que se pensar bem a fundo, nem precisa de dinheiro para faze-lo.
É a vida, sendo descobertas por idiotas que acreditam em tudo.


Guerreira/JN/AA e PaulaJ 

sábado, 1 de outubro de 2011

A Paixão...Por Augusto Abade E Teresa Bettencurt


A Paixão

Gostaria de experimentar o seu bocejo, meu bem.
Claro, está à sua vontade, meu amor.
 Espalhe então seus cabelos sobre a cama, flor.
 Meus dedos estão abertos para si, minha paixão.
 Minha boca está pronta, coisa mais boa.
Oh, seu bocejo é lindo, fofura.
É que estou com sono bebé.
Então seu bocejo não foi só para mim, cobertorzinho?
Não, apenas estou com sono, quentura.

*************    FIM    **************
Este é uma autoria de Sr e Sra Abade.:)