quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um Natal Estapafúrdio Como Todos Os Outros...Por Paula Justiça


Um Natal Estapafúrdio Como Todos Os Outros
Era uma vez uma família super, mas super mesmo, estapafúrdia. Nestas famílias tudo o que acontece é estapafúrdio, até o Natal. Desta vez os miúdos pensaram que ia ser menos estapafúrdio do que o normal, pois os avós paternos, que moravam do outro lado do país, resolveram vir visitar o filho mais novo, a ovelha ranhosa da família. Mas não se proporcionou que tudo decorresse normalmente, aliás, tudo se passava, como sempre, ao contrário do que devia passar-se.
Primeiro foi a mãe que resolveu pintar o cabelo de azul, o filho mais velho achou que tinha chegado a altura de experimentar os piercings e cobriu as sobrancelhas com eles, enquanto as mais novas, as gémeas, se lembraram de rapar o cabelo no primeiro dia de férias, precisamente quando ninguém estava em casa. O pai, que tanto receava a visita dos familiares, evitou fazer o que lhe vinha à cabeça antes deles chegarem, precisamente por saber que só lhe vinham à cabeça ideias estapafúrdias. Mas logo que os pais chegaram, não se conseguiu conter, e foi rapar os pêlos do corpo todo, só deixou o cabelo!
Os pais nunca tinham esperado nada dele nem destes filhos, pois pensavam que tinha herdado a panca da bisavó, que andava nua pela aldeia enquanto todos os outros dormiam, o médico dizia que ela sonâmbula, só que os vizinhos pensavam que ela bruxa, por isso pegaram fogo à casa na noite de Natal, não morreu ninguém, nem os gatos, mas a partir dessa data mais nenhum Natal foi como o das outras pessoas. Ele não andava nu na rua, só em casa, principalmente em frente à mãe dos seus filhos, uma mulher que adulava e que era o sentido da sua vida.
Neste Natal, depois de se depilar, e de dizer aos pais que essa era a prenda que se tinha dado a si próprio, declarou que tinha descoberto que ele próprio era Deus, por isso essa história do menino Jesus e das palhinhas era tudo uma aldrabice. A insistência em tal disparate fez a mãe lacrimejar e o pai sussurroul, Porque raio havia de ter um filho doido? Foi nesse mesmo instante que o pai Natal caiu da chaminé e se virou pala ele: chamaste-me? Precisas de ajuda? Ninguém te compreende? Posso dá-te de prenda de Natal um tradutor, daqueles que se usam no Second Life, mas para compreender emoções e sentimentos.
Não, dá isso aos meus pais, por favor. O avô dos miúdos, atarantado, perguntou de onde tinha vindo aquele pai Natal, que nem o tinha visto entrar. Veio da chaminé, confirmou a mãe, de onde queria que viesse? Sim, eu também vi, acrescentou a avó, ele saiu do meio das chamas. Mas isto está tudo louco ou quê? Perguntou o avô, já sem achar piada nenhuma à brincadeira. O pai Natal deu-lhe o tradutor e a partir daí não falou mais, estupefacto com aquilo que as pessoas à volta dele sentiam!
Foi assim que os avós do Sul se mudaram para o Norte, que a família estapafúrdia se rendeu ao vegetarianismo, que se deixou de comer peru no dia de Natal, só roupa velha, mas sem bacalhau, porque até os bacalhaus têm emoções e sentimentos!
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Natal Estapafúrdio De Zacarias Bento...Por CMaria. Elias


Natal Estapafúrdio De Zacarias Bento

Zacarias Bento deitou-se no sofá e, por momentos, conseguiu esquecer que era véspera de Natal. Depois, cedeu à tentação de ligar o velho televisor, encaixado numa estante a abarrotar de livros e fotografias, e a ilusão esfumou-se perante os noticiários televisivos da noite de vinte e quatro de Dezembro. Desligou o televisor, exasperado com aquilo que lhe pareceu ser um ataque pessoal, levantou-se e caminhou até à cozinha, do outro lado do corredor, impecavelmente limpa pela mulher-a-dias e pelo pouco uso que Zacarias lhe dava. Abriu e fechou alguns armários até encontrar a embalagem de Corn Flakes que comprara no dia anterior, abriu-a, comeu alguns flocos, e levou-a consigo no regresso à sala, pousando-a, aberta, na pequena mesa ao lado do sofá, que mal dava para o candeeiro de leitura. Inspirou profundamente e, com renovada intenção de ignorar o Natal, voltou a instalar-se no sofá.

Não chegou a deitar-se completamente: três toques de campainha, enérgicos e sincopados, fizeram-no saltar do sofá. «Mas que raio... Esta gente não sabe tocar para o andar certo?», pensou Zacarias Bento enquanto percorria o longo corredor, com intenção de abrir a janela da sala de jantar – a única que dava para a fachada do prédio; uma importante mais-valia num edifício muito anterior à invenção do vídeo-porteiro – antecipando já as palavras com as quais invectivaria o incauto visitante. Antes de chegar à sala, porém, ouviu uma voz feminina do outro lado da porta da escada: «Senhor Bento, está aí?» Zacarias reconheceu o timbre agudo da vizinha do rés-do-chão esquerdo, dona Etelvina, viúva mais experiente do que ele, a quem a sua saudosa Zélia costumava encomendar umas empadas de galinha «à moda de Estremoz» que até não eram nada más. O que se teria passado? Algum acidente na cozinha?

Abriu a porta e deparou-se com um insólito espectáculo: metro e meio de dona Etelvina a arfar de cansaço entre dois grandes cestos, cobertos por panos com horríveis motivos de Natal. «Boa noite, senhor Bento! Dê-me aqui uma ajuda que quase morri a acarretar isto tudo desde lá de baixo.» «Boa noite, dona Etelvina. Mas a senhora quer ajuda para fazer o quê, exactamente?» «Para levar isto para cozinha, claro. Senão, como é que fazemos o jantar?» «Cozinha, fazemos, jantar?» «Ó senhor Bento, não me vai dizer que se esqueceu que hoje é dia 24...» Sem esperar por uma resposta, a dona Etelvina levantou os cestos com grande esforço e fez menção de entrar. Perplexo, Zacarias Bento afastou-se e a pequena criatura lá passou, acabando por pousar os cestos no corredor. «Então, vou andando para a cozinha, está bem?»

Ainda quis impedi-la de avançar e tirar a limpo aquela história do jantar, mas a sua atenção foi desviada pela chegada de mais alguém: o senhor Matos, dono da pequena frutaria da rua, que acabara de subir os últimos degraus, trazendo vários sacos de plástico, através de um dos quais claramente despontava a rama de um ananás. O senhor Matos cumprimentou-o alegremente e, antes de entrar, fez questão de lhe dizer que não valia a pena fechar a porta, porque, quando estava a chegar ao prédio, vira o professor Dias a arrumar o carro. Aparentemente, o professor Dias tinha ido buscar um bolo-rei à Confeitaria Nacional, porque era «o melhor de Lisboa».

«O professor Dias, do terceiro esquerdo, também? Será uma conspiração?», perguntou-se Zacarias Bento.

Só podia ser uma conspiração: depois do professor Dias, que apareceu com o bolo-rei e a guitarra com a qual habitualmente andava, bateu à porta o senhor Gustavo da farmácia, sem medicamentos, mas com duas garrafas de um vinho tinto que assegurava ser «uma das melhores pomadas» que experimentara naquele ano e, por fim, a dona Isabel da papelaria, com enfeites de Natal e uma grande taça de sonhos, o único doce natalício que aprendera a fazer decentemente.

Zacarias Bento não se atreveu a perguntar se devia esperar mais alguém – com receio da resposta – mas a verdade é que a campainha permaneceu silenciosa e, assim, rendido à inesperada invasão, em parte por pura perplexidade, limitou-se a agir como espectador involuntário de uma improvisação teatral, respondendo apenas quando questionado sobre coisas tão simples como a localização de um tacho, dos talheres ou de uma toalha.

Já à mesa, decorada e enriquecida com as ofertas dos convidados, a dona Etelvina garantiu que o bacalhau era do bom, que «até falava sueco». «Norueguês, dona Etelvina», corrigiu o professor Dias, «o bacalhau vem da Noruega, logo, se falasse, seria norueguês.» «Norueguês, sueco, é tudo para aquelas bandas, não é verdade?» «Eu, se não se importam, prefiro que a comida se mantenha em silêncio», confessou Zacarias Bento; a gargalhada foi geral.

Depois do jantar, o professor Dias ainda reuniu coragem para pegar na guitarra e cantar algumas músicas de Natal, acompanhado pelas vozes desafinadas das senhoras. Zacarias Bento acabou por ir buscar uma velha garrafa de vinho do Porto, para «ajudar a empurrar o resto do bolo-rei e dos sonhos, já que ninguém vai conduzir».

Passava da uma da manhã quando a dona Isabel se levantou, dizendo que talvez fosse boa ideia ir andando para casa, porque mesmo sendo Natal tinha algum receio de regressar sozinha. De imediato, o senhor Matos e o professor Dias se ofereceram para a acompanhar a casa. A dona Etelvina insistia em ficar para lavar a loiça, mas Zacarias Bento recusou taxativamente: «Nesta casa, quem cozinha não lava a louça.» A vizinha sorriu agradecida e recolheu os cestos. Despediram-se todos agradecendo a generosidade dele. Zacarias Bento encolhia os ombros: «Mas qual generosidade? Vocês é que tiveram o trabalho todo!»

Finalmente só, apagou as luzes da sala de jantar, da cozinha, da sala de estar e percorreu o longo corredor até ao extremo da casa onde se encontrava o quarto. Deitou-se na cama sem se despir e enrolou-se no edredão. Estava muito cansado. Adormeceu agarrado à fotografia da sua Zélia. «Se ela tivesse visto isto... Foi o Natal mais estapafúrdio da minha vida!»

* * *
Dois andares abaixo, na cozinha do rés-do-chão esquerdo, Etelvina dos Santos pousou os cestos, agora mais leves, encheu de água e ligou a chaleira eléctrica, para um sacramental chá de cidreira, que lhe acalmasse a vesícula, desafiada pelos excessos da consoada, e lhe oferecesse algumas horas de sono reparador. Enquanto a água aquecia, o seu olhar deslizou para um papel preso à porta do frigorífico com um Pai Natal magnético. Numa letra bem desenhada, Zélia Bento escrevera um insólito convite para uma ceia de Natal, a realizar após a sua morte, que terminava com as seguintes palavras: «O meu marido não aceita convites para passar a consoada em casa de outras pessoas. Ainda assim, se Zacarias não vai ao Natal, talvez o Natal possa ir até Zacarias? Conto com a sua ajuda.»
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Pinheirinho De Natal...Por Ermelinda Milheiro


O Pinheirinho De Natal

Era uma vez um pinheirinho que vivia num bonito canteiro, situado no meio da praça de uma pequena aldeia transmontana.
Era pequeno mas viçoso, luzidio e verde, muito verde!
Todos os habitantes desta aldeia gostavam e admiravam o pequeno pinheirinho. Este era diferente de todos os outros. Parecia querer dizer a todos os que passavam por ali «Bom dia!»
Então, todos os anos pelo Natal, as pessoas daquela aldeia, o enfeitavam com fitas coloridas e brilhantes, com bolas multicolores e lindos laçarotes vermelhos.
O João um menino traquina de apenas seis anos, era o seu mais fervoroso admirador. Trazia sempre a sua grande e bonita estrela dourada, para que fosse colocada no ponto mais alto do pequeno pinheiro.
Este ficava resplandecente e todos achavam que era o pinheiro de Natal mais espectacular das redondezas.
Orgulhoso de tanta admiração e carinho, o pinheirinho sentia-se o mais afortunado e feliz dos pinheiros...
Esticava os seus braços vigorosamente e suspirava de satisfação!
As suas raízes estenderam-se saudáveis e fortes...e este cresceu, cresceu...
Alguns anos se passaram e o pequeno pinheiro havia-se transformado...Tornou-se num pinheiro robusto e muito, muito alto!
As pessoas, pouco a pouco desinteressaram-se e a indiferença instalou-se. Já não era enfeitado no Natal e as pessoas já não lhe davam importância.
Mas o pequeno João não desistia... continuava a pedir à mãe algumas fitas e bolas, que colocava nos ramos que conseguia alcançar.
O pinheiro apercebendo-se do abandono a que fora votado, começou a sentir-se cada vez mais triste. As suas folhas iam pouco a pouco perdendo o brilho. Já não tinha alegria de viver...
Certa noite de Natal, lamentava-se o pobre pinheiro da sua pouca sorte, quando de repente, viu que algumas estrelas lindas e brilhantes se desprenderam do Céu, e rodopiando numa dança maravilhosa, poisaram suavemente nos seus ramos.
Sentiu uma verdadeira felicidade invadir-lhe profundamente todo o corpo...
Todos olhavam maravilhados e completamente pasmados para e o que estava a acontecer...
Ao verem isto todos compreenderam o seu erro. A partir desse altura, todos os anos pelo Natal, aquele pinheiro era o mais bem enfeitado e o mais bonito pinheiro de Natal de toda a região, provocando a admiração de todos que por ali passavam.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Caminhada ...Por Maria De Fatima Rodrigues


Caminhada

É a primeira vez que me sucede ser convidada para escrever a sério, sem palavras brejeiras...não quero valorizar o facto...ao aceitar escrever estas linhas apenas pretendo honrar um gesto de amizade...o quanto gosto dos meus amigos...e a caminhada que tenho pela frente para lhes mostrar gratidão e dizer-lhes olhos nos olhos o quanto os adoro. não podia deixar de escrever estas singulares linhas a um Homem que conheci e que, passadas que foram 48 horas sentia a certeza de já o haver conhecido há muitos anos. fiquei mais rica, ganhei um amigo...

Já o conhecia do jardim. Tal como eu, com a idade eles vêm sempre ao mesmo sítio. O meu amigo não sei idade tem, mas é parecido comigo : cinzento, a caminhar para o branco, já pouco preto....Vejo-o no jardim ao meio-dia, depois da missa. Falo um pouco com ele, e sei ele anda de olho numa pombinha que é um mimo!Depois do almoço na instituição volto para uma partida de xadrez com o sr.Alberto, o antigo farmacêutico...
Amanhã de manhã, se Deus quiser, lá estarei com o meu amigo no jardim...vou dar-lhe o melhor milho que houver, ele é engraçado. Até amanhã, Enfermeira Maria.

Acontece ás vezes eu ser interrompida nos meus pensamentos literários...o mundo virtual tem destas coisas...mas vou acompanhar o João na evocação da memória camiliana - Camilo adorava pombinhas brancas. Por proximidade e por acréscimo, atrevo-me a alargar a minha intervenção escrita a quem gosta da boémia salutar...a quem tem o sentido de humor mais requintado do jardim. Sim, a casa apalaçada dele, cheia de livros, tem um grande jardim onde ele costuma sentar-se a ler...muito provavelmente já leu a Biblia Sagrada. A este nível apenas posso reivindicar a partilha de um apelido comum - Romântico -. Fica-me pois, nesta relação de amizade com o amigo romântico e não cinzento, a enorme admiração pela escrita, a sintonia com o seu olhar sobre o mundo e o respeito pelas mulheres. Não vou estar com ele no Natal, na missa do galo...mas mto provavelmente no fim do ano lá estarei com o meu amigo no jardim.

O Tâmega corre manso, por enquanto, as águas estão turvas mas dá para ver os peixes a fazer longas correrias como que brincando às escondidas, ou dando largas às cerimónias nupciais.
Já não há barqueiras na travessia do rio, as poldras estão cobertas de musgo, só as pontes se continuam a olhar numa troca permannte de sonhos e realidades.
A última caminhada que dei, foi precisamente hoje, na hora de almoço, para visitar e apreciar as as lojas decoradas de fantasias. É Natal !

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Este Maria De Fatima teve participação especial de João M,B.Nobre.:-)

La Cucaracha...Por Zeke Viegas


La Cucaracha

Famoso pelas reportagens mexicanas que publicava on-line e pelas mulheres que o amavam "El compañero" deixava o mundo depois de um acidente estúpido em frente da casa de uma amiga depois de um tajine marroquino e várias garrafas de vinho...e a recusa colectiva e formal de todos os presentes para entrar na sua "jangada do amor", o nome que ele dava aquele chaveco que sabe deus quantos anos teria.
 A viúva inconsolável, a bela Frida, tinha abandonado tudo por ele, a família, as propriedades e os amantes para se enfiar num andar velho na Graça e deixar ela sim o seu México de origem. Alinhando sem graça nesse dia as suas tranças negras já grizalhas recebia os pesâmes daqueles que apareceram no Alto de S. João para a última homenagem ao Charlie. E mais afastada encontrava-se em silencio, a rapariga dos óculos escuros e botas alta, a Paulinha. Encostada a um banco, a "Virgem Vermelha", Nossa Senhora dos Guerrilheiros, a loucura de todos los ninõs do tempo da faculdade...fumava com um ar liberal e moscovita uma cigarrilha curta com boquilha...
Ali permaneceu longe de todos a observar o fumo que saía da chaminé do crematório esperando sem demonstrar nenhuma pressa a sua vez de se despedir da mulher de "El Compañero" que amara em silêncio durante tantos anos.
 Tinham feito juntos aquela viagem ao México quando ele se apaixonou loucamente por aquela Frida e decidido permanecer em Guarnavaca. A Paulinha regressara sózinha e deixara de frequentar o "British Bar" onde nos reuniamos todas as sextas-feiras e nunca mais foi vista no "Tokyo" a dançar descalça como era seu costume... nem mesmo nos jardins da faculdade que abandonara sem deixar rasto, sendo que pouca gente sabia o que andava a fazer.
Encontrei-a uma vez com um tipo mais velho, meio careca, que tinha um descapotável e que ela me apresentou como um amigo. Soube depois que tinha estado internada com líquido nos pulmões e a bater mal nas ruas mais frequentadas da capital do Norte. Telefonei-lhe nessa altura para o hospital para lhe desejar as melhoras e vontade de a rever. Ficou contente, parecia quase feliz, perguntou pelo Juan, "O encanto das ilhas", pela malta e que quando saísse com alta da enfermaria iria organizar um festa em sua casa.A partir desse momento começei a vê-la com mais regularidade.
 La "Nina Roja" tornou-se primeiro minha confidente e uma noite de estrelas simplesmente amante.Disse-me que estava farta de dormir sózinha com os gatos e que precisava de um homem para lhe aquecer os pés.
Não sei de onde vem a obrigação moral..nem o sentimento dessa obrigação. Pode-se estimar o amor  e a piedade, sentimentos naturais. Não podemos é relacionar o sentimento de obrigação a nenhuma propensão altruísta, tão primitiva como o egoísmo e o ciúme. Não sabemos todos e reconhecemos no animal...a mãe que se sacrifica pelos seus filhos? Se temos sono não precisamos de ninguém que nos obrige a dormir, nem quando temos fome ninguém que nos obrige a comer...e assim por diante. Não sei qual é o gozo da Paulinha a não ser neste  caso a  Liberdade! Não é por se sentir obrigada a fazer isto ou aquilo que o vai fazer... É por isso que existe neste conto uma completa falta de moral. E por isso vamos terminar assim...
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PS/PSD/CDS: Agradeço a todos aqueles que me apoiaram: À pastelaria Mexicana, À Hot Cat, à Fanny Ardente e à Mia. A Exposição sobre a Frida Kahlo..ainda pode ser vista no CCB e depois...mas antes do jantar... ainda podemos ir beber uma bela Margarita!


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um Natal Sem Bolas...Por Hilda Milk


Um Natal Sem Bolas

O que vou narrar aqui é deveras estranho para ser real e confesso que fiquei em dúvida se podia mesmo revelar.Espero não prejudicar niguém com isso.
Era dezembro de mil novencentos e bolinha e como sempre todos numa correria doida na cidade.
Não entendo direito isso, todos andam sem menor pressa durante o ano todo e, quando chega no dezembro as pessoas parecem ter de repente lembrado que, ou esqueceram a panela no fogo, ou tem que tirar o pai da forca, ou comprar o carro novo, comprar os presentes ,e acima de tudo, lembram do coitado  do perú.Hó! que dó.
Letícia não ligava muito para isso de festas porém fora criada dentro do judaísmo e algumas comemorações são de cunho cultural na vida de toda judia.
Roberto era um cara  bem humorado e inteligente, sempre foi de viajar e trabalhava com construção civil e foi numa destas convenções importantíssima que conheceu Letícia. Foi amor a primeira segunda e terceira...vista.Quando se deram conta, não queriam mais morar separados.
Quem diz que a vida é redonda? Os dois tinha ainda que contar suas histórias de família...
Leticia era judia e seu pai era um ribbí(rabino) e Roberto era de família católica praticante, tão praticante que até tinha dois irmãos padres.Mais confuso isso não poderia ser...
Pois é, os dois enamorados  combinaram o seguinte, como os pais dos dois  eram radicados em Connecticut a familia de  Roberto era de Fairfield Condado/Dambury, e  no mesmo estado os pais de Letícia moravam em  West Hartford...Sabiam que se quizessem viver bem e terem tempo calmo para se conhecerem, precisariam ficar longe da duas, pelo menos por enquanto, uma vez que em qualquer religião que se preze, eram unanimes em afirmar que a familia é um vínculo mais forte na existencia do ser humano. E assim foi... Foram morar na cidade onde Letícia estava fazendo seu mestrado.
Os dois se revezavam com suas respectivas familias...Se casaram segundo as tradições judaicas cumprindo todas as etapas que o cerimonial exigia...Quando questionado sobre a ausência de sua família Roberto mencionava qualquer desculpa e se causava alguma curiosidade a seu respeito os demais não falavam nada...Afinal eram mesmo apaixonados os dois.
Se casaram dentro da igreja católica seis meses depois com a cerimonia realizada por seus dois irmãos padres...Letícia também alegou qualquer coisa a respeito da ausencia de seu progenitores.
Quando  os dois cumpriram as obrigações matrimoniais, foram pra seu cantinho viver a vida...
Assim viveram seus quatro anos de casados os  dois e uma gata chamada Star, até "aquele" natal.
Os pais de Roberto vinham passar o natal com eles ,então montavam tudo de acordo ,com direito a árvore, presentes, perú e que mais fosse preciso.Tinham novidades também, iam ter um bebê e ambos não cabiam em si de tanta alegria, combinaram de dar a noticia  no natal.
Estava tudo correndo conforme o previsto porém, por intervenção do destino as coisas se precipitaram um pouco desta vez...No dia 24 de  natal a campanhinha toca e quem era?
Ali bem na porta, estavam os pais de Letícia ..._Surpresa!!!
Quase que Leticia desmaia de susto , sua mãe tinha um pequeno cão no colo que imediatamente se solta e corre pela casa feito doido atras de  star que estava tranquila em cima da lareira...Aquilo foi um corre corre, star não tinha tinha por onde escapar, derrubaram tudo que havia naquela sala, incluindo a árvore de natal.
Seus pais vieram de supresa pois construiriam uma sinagoga bem próximo dali e ele viera para conduzir a construção da mesma.
Agora era hora de  falarem a verdade, não havia como fugir mesmo porque, em poucos minutos e em meio aquela bagunça toda, apareceram os pais de Roberto.
_Então voces não são católicos?
_Então voces não são judeus?
_Sim ,somos  judeus e somos católicos.Respondeu Roberto
_Somos as duas coisas e somos também arquiteto e professora,marido e esposa,e somos também filhos de voces e em breve  seremos pais...
 A alegria foi tanta que ninguém mais se importou com nada.Claro que os festejos além de ser pelo nascimento de cristo era também, pela chegada de um neto que seria meio católico e meio judeu.
Foi um natal fantástico onde a crença de qualquer um era inspirada no amor e na fraternidade, no respeito e principalmente na vontade de serem felizes. Estes dois fizeram e fariam qualquer coisa para ficarem juntos.
E assim... Com a árvore completamente destruida pelo cãozinho que perseguia o gato, aconteceu aquele natal sem bolas.:-)
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Descoberta Da Felicidade...Por Maria De Fatima Rodrigues


A Descoberta Da Felicidade

“Era uma família que tinha muitos bens. Ao único filho que tinham, nunca lhe deixavam faltar nada. Apesar disso, parecia sempre aborrecido e triste. Nas férias, para mostrarem ao filho a felicidade em que viviam, decidiram ir até à aldeia passar uma semana com os avós que continuavam a viver uma vida simples e de trabalho.
Passada a semana e quando regressaram a casa, o pai perguntou ao filho:
- Viste como vivem as pessoas pobres?
- Sim. Disse o filho.
- E o que aprendestes nesta semana? – Perguntou o pai novamente.
O filho respondeu:
- Eu vi que nós temos um cão em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina até ao meio do jardim, e eles têm um rio que não tem fim… Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luz, e eles têm as estrelas e a lua. O nosso jardim vai até ao portão da entrada, e eles têm uma floresta inteira…
O pai não conseguiu esconder a sua admiração! Perante a cara de espanto do pai, o filho acrescentou:
- Obrigado, pai, por me mostrares como nós somos tão pobres !
- Porque dizes isso? Perguntou, espantado, o pai.
O filho respondeu:
- Parece que temos tudo, mas nem sequer temos tempo para falar uns com os outros;
nunca ajudámos ninguém; parece que todas as pessoas nos são estranhas. Isto quer dizer que a nossa riqueza só nos afasta das pessoas e não nos deixa aprender a gostar delas. E a sermos felizes. Vivemos só para nós, enquanto que na aldeia se interessam por todos. E sentem-se felizes”
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