segunda-feira, 2 de julho de 2012

Viagem Pelo Desconhecido...Manuel Carlos Aguilar

A Viagem Pelo Desconhecido

Entrei no C H C B no dia 4 /1 /2012 com indicações médicas para fazer uma cirurgia de nome DACRIOCISTORRINOSTOMIA: depois de responder a um pequeno questionário sobre doenças existentes e medicamentos tomados, fui encaminhado para uma enfermaria de nome »Especialidades Cirúrgicas«: aí, fui instalado numa cama suplementar onde permaneci ocupando o tempo com um livro que tentei reler, »Planície de Espelhos« de Gabriel Magalhães, a dificuldade estava em me abstrair dos ruídos circundantes: não li mais que três ou quatro páginas. (No momento em que narro esta pequena história ainda estou bastante tonto da anestesia geral, pelo que hoje vou ficar por aqui).
  Estava numa enfermaria com mais quatro doentes, dois velhinhos, um jovem de 30 anos que passava o tempo no seu Ipad e consola de jogos e um motorista de longo curso que se distraia conversando; três deles iriam ser operados no dia seguinte a cataratas nos olhos, eu à tal DACRIO....................:
 a noite chegou e para quem estava habituado a dormir pelas 2horas da madrugada não foi fácil adormecer num ambiente estranho.
  Acordo em sobressalto pelas 6:30 h quando uma enfermeira acende as luzes e começa o ritual de preparação para as cirurgias; irradiando simpatia, a enfermeira começa por cortar as pestanas aos colegas, aproxima-se e enquanto me corta as minhas lindas pestanas, comenta.
Mais um pestanudo, se as minhas fossem assim não precisava de as alongar com rímel. Replico
- lá se vai o que resta dos meus lindos olhos!
 Chega o médico; faz um breve exame e diz: - então, estamos prontos para tirar essa coisa!
 - Estou pronto.
  Breves minutos depois senti-me a navegar por corredores e elevadores com os olhos abertos para um céu de luzes opacas até chegar a uma sala em penumbra e fria; aí transferiram-me para uma mesa de cor verde escuro e muito dura, mais uma mudança, desta vez para aquela que seria a mesa de operações; entro numa espécie de sarcófago, lanço os olhos em redor, apenas vejo paredes em mármore cinzento escuro e aparelhos em volta, por cima as lâmpadas projetoras estavam ainda em modo de standby.
 - Então, está bem disposto? - Pergunta uma simpática enfermeira ou médica, - o que é que faz na sua vida!? Nós somos muito curiosas. (Haverá alguma mulher que não seja)! - Não tenha medo, vai correr tudo bem, diziam enquanto me colavam todo o tipo de sondas no peito, dedos e cérebro. neste momento já estava sob o efeito de sedativos e tudo aceitava com normalidade. Uma voz de homem fala em tom suave, - vai adormecer: sinto um liquido entrando por uma veia da mão esquerda como se fosse fogo penetrando.... entro na terra do nada................................................................................................................................................

 Acorde, correu tudo bem, foi a primeira voz que ouvi. - Então, sente-se bem? Tenho fome , quero comer, respondi ainda atordoado pela anestesia. (Que longa já vai esta história; poucos terão a paciência de a ler)! Tinham passado cerca de 4 horas em que a morte da dor se tinha apoderado do meu corpo.

 Eis uma nova viagem alucinante de retorno à enfermaria; adormeço e acordo com a visita dos meus familiares por volta das 16:30 h.
 No dia seguinte estou em casa em convalescença.
++++++++++++++++++Fim++++++++++++++++++++++++++++++
Este conto tem ilustrações do artista  Gil Pery.:-)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Quando Sou Feliz...Por Guerreira Xue


Tem  alguns anos e eu vi um documentário na televisão que  falava na existencia de um homem feliz, de que se tinha notícia claro.Era em uma cidadezinha lá nos confins do Rio Grande Do Sul e o mesmo filme mostrava um senhorzinho de chapéu de palha debaixo do sol quente, tocando uma carroça  cheia de feno. Dizia também que este mesmo se sustentava dos peixes que pescava, plantava sua própria comida e sua compania era um radinho de pilhas, um cão, um burro velho, galinhas  e os pássaros que habitavam seu pomar.
Ficava eu imaginando....
Que tipo de felicidade seria esta!
Queria poder ir atras do sujeito e lhe perguntar onde ele a achou?
Por que diabo um pobre coitado de pés descalços, era feliz?
Isso era um enigma. Sabidamente a felicidade esta ligada ao sucesso, fama e fortuna.Pessoas pagam rios de dinheiros para serem felizes.
Sim! Elas pagam pelo prazer de ter momentos de alegria,e que se diga é uma felicidade momentanea e que dura bem pouco.
Descrever misérias é poético e vende bem, comercialmente falando.
Se dissermos aqui:
_Existe um veio de ouro descoberto recentemente lá na beira do Tietê. Certamente uma multidão corre lá não só para verificar mas como para  se adonar do "dito", porque isso seria realmente pura felicidade!
Um desgraçado semi-analfabeto era feliz, isso só pode ser piada !
Eu mesmo, tenho dias de extrema alegria e tenho certeza que a satisfação nem sempre custam tanto, e no caso dele, custava quase nada.
Viver com alegria parece ser fácil. Será!
Até que ponto nossa felicidade ou tristeza depende de outros?

_Existem certos encantamentos que funcionam .Dizia a minha vó.
_ Voce só tem que variar na medida.
Como assim, variar na medida?
_Me diz uma coisa.Quando voce acorda feliz sem motivo aparente é por que?
_Não sei vó...Por causa do sol, da chuva, por eu estar bem....
Vamos partir dai então...voce ficou feliz sem interferencia de ninguém, esta "coisa" feliz saiu de dentro de voce e mesmo que aconteça algo que te faça encher os olhos de lágrimas, o que seria uma interferencia, voce tendo energia forte, logo voltas para tua alegria habitual querida.
Ninguém nasce para ser triste ou feliz o tempo todo, pois vivemos em sociedade e em geral existem muitas pessoas doentes e tristes em nossa volta, o que não quer dizer que voce também um dia não possa ficar.
A tendencia do dia negro é chover  e a do ser triste é chorar. Depois da chuva , as nuvens se vão e o sol que estava escondido, aparece. Então depois das lágrimas...
Mesmo que vivas de olhos fechados, ainda não poderá ignorar os outros e como consequencia, sofrer sua influência. É  natural que fiques triste, ou por não se sentir bem ou por ver pessoas doentes e sem alegria mas, se viver de olhos muito abertos corres o risco de cair na tristeza alheia também, o que pode te impedir de ver o sol, ou achuva ou o teu próprio bem estar.

A felicidade está em repartir, e isso serve para alegrias, tristezas, comida, espaço, etc etc...
Isso devia ser o único mandamento.Agradar Deus, fazendo pelo próximo.Se todos fizessem isso...
Variar a medida no caso aqui é voce dar e receber... Se acaso voce ficar triste, vem alguém e te dá conforto, alguém que tem alegria sobrando hoje. Veja que alegria também é subjetiva nestes casos pois, pode bem significar um pedaço e pão para matar a fome de outro...
Ai que saudades da minha vó querida!
Queria ter conhecido, o sujeito que era feliz.:-)
Este texto tem ilustrações do artista Gil Pery.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Rata E O Dragão


      Certa vez, quando os bichos falavam um idioma compreendido  na terra dos homens, havia um dragão enorme que protegia um pequeno  povoado de toda sorte de perigos. Ele era valoroso e gentil. E em troca o povo lhe retribuía com todas suas vontades satisfeitas. É claro que por vezes o mesmo também era egoísta e intransigente, como a maior parte dos poderosos porém era sempre perdoado e em geral era quando aparecia um malvado, querendo escravizar a vila
_Já estamos acostumados com o nosso amo e senhor de estimação. Diziam os mais velhos da região.

Mesmo um dragão tem sentimentos e Sua Excelência, o Dragão Pintado, era particularmente sensível. Impertinências à parte, o dragão vivia comovido, pela reverência do seu pequeno povo e cada dia se sentia mais responsável por ele.
Bem, nenhuma história é perfeita, ou não havia história.. Por isso temos de falar do João Rapagão, inimigo do dragão!
O João Rapagão nascera naquele povoado, já ninguém se lembrava quando, pois toda a gente preferia lembrar-se como!
O João Rapagão não nascera. Aparecera, simplesmente.
Era dia de feira.
Às quartas feiras, para quebrar a monotonia das semanas em que não havia ameaças à aldeia, achava interessante este detalhe, devia ser o dia de folga todos malfeitores os habitantes vinham ao terreiro trazer o que produziam, vender, trocar, fazer festa, dançar e etc.
     Muita gente de longe convergia para o povoado. Essencialmente por causa de... etc.
Foi numa quarta feira discreta, ao final do dia, que toda a gente deu por ele, plantado no fontanário público, meio sentado meio deitado, impossível de ignorar, esquecido de se ir embora, gritando a todos que sempre ali vivera.
_Sou o maior matador de dragões de todas as terras!
Impertinente!
Sim, pois ninguém nunca se dera conta da existência de tal sujeito. E foi justamente neste dia que todos se aperceberam de Rapagão._ Um atrevido isso sim! Diziam as senhoras de boa família.
Mas, voltemos ao nosso protetor e guardião.
Ele andava triste e cabisbaixo. Hoje era dia da feira e este sempre vinha para se exibir a todos, fazendo demonstrações com seu fogo.
_Que será que houve. O dragão não estava lá no lugar de costume.
-Será que está doente?! Especulavam todos.
É verdade que ele andou enrabichado por uma bela dragoa que andou por aqui, esta vinha de passeio do norte. Eles conheceram-se por um destes acasos da vida. Ela machucara uma asa e teve de pousar, obrigatoriamente, no vilarejo. Foi um alarido só. Num primeiro momento ficamos preocupados, pensamos que era o nosso protetor que havia sido ferido. Ela era igualzinha a ele em tudo. Porém com atenção e cuidado sua asa melhorou e ela parecia nem lembrar mais que estava indo para algum lugar. Aí, ficamos preocupados de novo. Nosso vilarejo é pobre sabe. Dar de comer para um dragão ainda suportamos, mas a dois!A coisa ficava complicada.

E foi com grande alegria que um dia a vimos bater suas asas em direção ao norte, ela retornava para seu lugar de origem.
_Deve ser saudades de dragoa. Deixemos nosso dragão querido em paz então. Concordaram todos. Mas os dias passavam e ele não vinha nem pegar sua comida.
Rapagão, o moço exibido, tinha um bicho de estimação que carregava no ombro. Um camundongo, imaginem só! Coisa incomum, pois é. O diabo do ratinho não falava com ninguém, só com rapagão. Isso era o que dizia ele, o que nos fazia pensar que não era verdade.
Um dia estava o moço se pavoneando para uma jovem na vila, quando um dos anciões o manda chamar e pede-lhe em publico que leve a comida do dragão.
O rapaz se prontifica logo na esperança de impressionar a linda moça que o acompanhava e vai carregado de comida para o topo da montanha.
Cansado pela subida ele se para a porta da caverna do dragão e espera.
Quando de repente ele sente o bafo quente atrás do pescoço. Toma um verdadeiro susto, levanta-se num repente. O Dragão está lá com os olhos injetados de fogo a fixar-se nele. João não consegue pensar em nada melhor que correr, e correr muito.
Na corrida desembestada morro abaixo João nem se da’ conta que deixou cair seu camundongo ao levantar-se.
Chegando a vila Rapagão avisa todos que o dragão está louco de raiva e vai matar a todos. Ficamos preocupadíssimos, claro. Com podia ser isso!?
Baixaram a ordem para que todos se refugiarem em suas casas imediatamente, deixassem comida e bebida suficiente para os dias de reclusão, até saberem ao certo o que se passava com o dragão.
Na caverna o dragão estava desesperado de dor. Era horrível aquilo. Nem sabia mais o que fazer, não dormia, nem comia há dias.
_Com licença. Uma voz feminina falou.
_Que foi? Onde estás? Diz o dragão olhando em volta sem conseguir ver nada.
_Estás com um espinho enterrado no pescoço amigo. Posso tirar, se quiser.
_Por favor. Respondeu o dragão. _Acho que é isso que está me matando.
_Fique calmo e não se mexa, por favor. Vou tentar.
 Sem pensar duas vezes a ratinha pega aquela enorme farpa e puxa com toda força que pode.
 E vai sussurrando ao ouvido do dragão.
_Só mais um pouco amigo, só mais um pouco.
E tenta de novo e de novo. Enquanto o dragão vomitava fogo pelas ventas e boca clareando a  escuridão da caverna , até os morcegos que ali viviam  evaporaram logo, e do povoado todos escutam seus grunhidos apavorados.
     Afinal não tinha sido a dragoa a provocar-lhe tão grande dor, mas sim um espinho no pescoço, ainda por cima retirado por uma ratinha! Quando o dragão voltou ao povoado vinha enraivecido, como tinham sido capazes de o deixar a sofrer sozinho sem nenhum se atrever a tentar salvá-lo?! São estranhos os seres humanos, se puderem esquecem-se de quem veneram, não ajudam quem mais sofre e ficam felizes por não padecerem dos mesmos males! Ainda por cima os dias que ficara a gemer não lhe permitiram arrumar o lar onde vivia, que se tinha infestado de pulgas, de modo que o seu bonito corpo de dragão luzidio estava cravejado de mordidelas de pulgas. Detesto pulgas, porque não vão elas apenas para os homens e deixam os bichos em paz?
     Quando o dragão pousou no lugar de costume. Chamou a todos os residentes da aldeia e contou o que havia se passado.
_Quando ouvi aquela voz, vindo não sei de onde, pensei que estar morrendo mesmo.
Eu desmaiei de tanta dor. Quando acordei me sentia cansado ainda, porém a dor havia passado.  A única coisa que pensava era em comer. Foi quando eu vi um ratinho  pequeno, dormindo sobre mim. Nem pensei muito peguei e ia levando a boca quando:
_Com que então eu te salvo, e tu me comes em agradecimento!
Fez-se um silencio onde eu imediatamente a larguei com toda a delicadeza possível a um dragão desajeitado.
_Peço desculpas pequena ratinha. Então foi você a me salvar da morte?

Incrédulo por uma criatura tão pequena e tão frágil ter tido a coragem de salva-lo, quando a maioria se escondera de medo.
_Acha que podemos conviver sem eu correr o risco de ser devorada por você grandalhão?
Ambos ficaram se mirando nos olhos por alguns momentos até que caíram na gargalhada.
_Vou tentar. Respondeu ele.
O dragão pegou a ratinha e a colocou no dorso _Segure-se, vamos voar.
A ratinha se sente humilde naquela imensidão toda. Lagrimas de emoção escorrem de seus olhos. Nunca vira paisagem mais exuberante. Quando pousaram, ele percebe a pequena sem palavras._Nunca voaste, ficou com medo? Gostou?
_Sim, foi maravilhoso. Fico imensamente grata.
O povoado voltou à normalidade. Rapagão perdeu sua ratinha, o moço "valente" havia ficado com tanto medo naquela noite que, só percebera no dia seguinte a sua ausência. Quando a viu com o dragão e soube que tinha sido sua salvadora, ficou orgulhoso dela.
E foi assim que aquele dragão enorme e uma ratinha insignificante e minúscula se conheceram. Estes eram de mundos diverso, duas cabeças, duas almas que por alguma razão, queriam muito se conhecer, saber de tudo um do outro.
Ambos não entendiam direito, mas estavam ligados pela curiosidade ou pela vontade... Vai saber...

Guerreira/ Lena e PaulaJ

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Verdade De cada Um

A Verdade De cada Um
A professora entrou na sala e logo foi dizendo.:
 _Quero um exemplo de superação hoje.
Os alunos sabiam bem que quando aquela senhorinha frágil queria, era mesmo o centro das atenções.
Podia estar a maior das algazarras. Ela entrava em sala, e todos prestavam atenção. Claro que o fato dela usar cadeira de rodas era bastante relevante aqui. Porém ela tinha espirito e sabia os manobrar como ninguém. E para ser sincera, não havia quem a detestasse na escola secundária.
Marina era de origem humilde, uma negra que viveu a vida toda na favela.

Marina tinha uns olhos grandes, do tamanho dos seus sonhos... os seus sonhos eram tão gigantes quanto o brilho profundo que lhe saía genuinamente do olhar. Tão grandes quanto o saco de pano sujo que trazia sempre a tiracolo... o portátil ninho da Simone. A Marina adorava a sua Simone, levava-a para todo o lado...
Sissi, como lhe chamava desde que se conheceram, era uma cadelinha mínuscula que apareceu no seu caminho e nunca mais abandonou a Marina. A Sissi era uma companheira para tudo e mais alguma coisa e portava-se como gente, só lhe faltava uma pata... que parecia não lhe fazer falta nenhuma, que não a impedia de ser a sombra da menina que acompanhava.
_De que tipo professora?!Perguntou Janete
Qualquer uma. Afinal superação é superação. Respondeu Marina
Gustavo, o mais calado emenda logo. Pode ser a mulher que com uma receita simples salvou inúmeras vidas no norte e nordeste do país?
Felipe diz:
_Pode ser a pessoa que não tinha nada ,em compensação deu teto casa e comida a dezenas de jovens?
_Pode ser quem vocês quiser. Quero este trabalho em equipe pois por mais que nos esforcemos .Sozinho somos nada. Disse Marina com bom humor.

Ela própria nunca estava sozinha. A Sissi acompanhava-a para todo o lado, como ela dizia, era a cadela da vida dela, nunca a largava e se tivesse de estar três horas à porta da escola à sua espera não arredava pé do mesmo sítio onde ela lhe tinha dito para ficar. Isso só acontecia quando vinha o Inspector à escola, de resto Sissi andava ao seu colo, pois era tão minúscula e sossegada que não incomodava ninguém. O mesmo não acontecia com Simone, a fadinha do portátil, que era rabugenta e incomodava meio mundo com os seus ruídos ensurdecedores. Às vezes a Sissi, quando tinha frio, aninhava-se ao lado da Simone, dentro da mochila do portátil. Devia chamar-se Magalhães, mas ela chamou-lhe Simone, a fadinha que dava alma ao menor computador do mundo e que lhe permitia escrever longas histórias para os alunos meninos que a ouviam maravilhados.
Esta menina senhora, tirada de um conto de fadas, punha os alunos a vibrar com as suas histórias de encantar. Também os fazia estremecerem com as histórias verdadeiras, como a dela, que sempre tinha lutado para poder ser tudo quanto queria. E ela queria pouco, só que a vida não lhe foi dócil e teve realmente de se superar para ser o que hoje é. Começara a trabalhar demasiado cedo, mas nunca deixou de estudar, e aos dezoito anos já estava a entrar para a faculdade, no ano em que se apaixonou por um surfista, um rapaz alourado com coca-cola e sol em demasia.

 Começou a praticar surf e um dia de nuvens esbranquiçadas entrou numa prova com o objectivo de ficar em primeiro lugar, passados uns dez minutos estava a bater com a cabeça num rochedo, depois de vários dias em coma, ficou paralítica. O rapaz desistiu dela, mas ela não desistiu nem de estudar nem de lutar pela defesa dos seus prórpios valores, como sempre tinha feito.

_Alguém já ouviu falar de um escritor poeta e pintor que atende pelo nome de Christy Brown ?
Como ninguém lhe responde ela continua_ Um irlandês de família humilde, era o decimo de vinte dois irmãos. O cara nasceu em 1932 com paralisia cerebral sendo privado dos movimentos do corpo com a única exceção, do pé esquerdo. Tempos de guerra no mundo, imaginem só.
Pois é, ele aprendeu a ler escrever e desenhar com o pé. Tornou-se uma referencia mundial, um gênio.
Sua dependência de álcool encolheu consideravelmente sua vida. Morreu aos 49 anos, era jovem. Um sujeito que superou tanta dificuldade acabou por deixar-se levar pelo vicio.

Há uma frase de Machado de Assis que diz o seguinte:
“O coração do humano é a região do inesperado.”
De minha parte emendo que a mente também é poderosa e qualquer um pode ser ou  fazer o que quiser, desde que tenha um objetivo. Ninguém precisa ser fracassado ao se deparar com obstáculos. Espere, pense, dê a volta. Só tem que insistir naquilo que realmente se quer.
Aquela moça cheia de vida na sua cadeira de rodas era uma heroína nata. E todos ali, não tinham a menor dúvida disso.
Por vezes pensava na vida de antes. Ficava triste também, afinal perder os movimentos foi um golpe.
Perder o Bruno foi uma natural parte do processo das mudanças em sua vida. O namorado se corroía num misto de pena e culpa pelo o acidente. O rompimento foi proposto por Marina, uma saída honrosa para uma situação que já se tornara insustentável. Chorou muito na ocasião.
Teve de reaprender quase tudo no dia a dia. Esforço encarado com bom humor e uma vontade de ferro.
Muitas vezes ela sonhava que voava, sentia o vento nos cabelos, corria pelos campos, acordava pela manhã com a sensação de que ia levantar. Então passou a pensar uma coisa. Seu corpo agora tinha limites, porém sua mente não. Por mais incrível que isso pudesse parecer, ela sentia uma alegria tão imensa. Ela sentia gratidão

Guerreira escreve este com colaboração de Lua De Sol e PaulaJ

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Princesinha Triste...Por CHB

    Era uma vez uma princesa, que morava sozinha, à beira dum bosque, num lugar que chamavam o Campo da Estrela. Era bela como um sol, grácil, alegre. Mas... no bosque moravam também uns poderes ocultos.    Eles ficaram com inveja da sua beleza. Um dia conseguiram lançar-lhe um malefício. E então ela ficou triste, não sabendo por que.
E foi-se-lhe a memória dos seus dias alegres. Até esqueceu tocar a sua viola, que antes encantava os passarinhos do bosque.
 Passava triste as tardes, num remanso do rio vizinho, onde antes fora feliz. Vagamente lembrava que tivera um amor, mas parecia-lhe que acontecera noutra vida.
No rio, fazia esforços por voltar a tocar a sua viola, mas não lhe saíam os sons que ela antes sabia arrancar às cordas. Chorou.
Então... pareceu-lhe ouvir um barulhinho, numa poça do remanso. Assustou-se. Ia levantar-se quando voltou a ouvir algo... era como um cró, cró...
Sorriu: era um sapinho, que parou de saltitar e olhou para ela, e ela para ele. Os dous, de repente iluminados pelo sol, ficaram por um instante como suspensos na calma do rio.
Então o sapo falou: princesa! Ela assustou-se outra vez, e afastou-se. Mas ele voltou a falar: não tenhas medo, princesa, não me é permitido fazer mal.
 Como sabes que sou princesa? Eu sei muitas cousas, disse o sapo, com um ar misterioso mas que a ela lhe pareceu cómico. E ela sorriu, revelando uns dentinhos brancos.

 O sapo disse: és bela, princesa! Ela voltou a sorrir. Disse ele: por que não tocas viola? Ela voltou a entristecer-se: não posso, estou triste. Mas por que? Porque me lançaram um malefício os poderes do bosque. O sapo ficou calado. Ao cabo dum tempo disse: eu sei... Então ela ficou intrigada.

 Sabes? Sim, sei: são os mesmos poderes que me fizeram a mim velho e feio. Ela olhou para ele, de repente séria: tu não és feio. Tu és bonito! O sapo ficou quietinho um bocado. Não te dou nojo? Ela riu então abertamente: não, vem aqui. E colheu-no nas suas mãozinhas divinas.         Ele fez-se então como que num burulho, todo aconchegadinho no oco das suas mãos. Estiveram assim um bocado, a olhar um para o outro. Disse ele: sei como te chamas. Sabes?, perguntou ela. Sim, mas não me é permitido dizê-lo... só a inicial.     Qual é?, disse ela. I!, disse ele. Ela sorriu, e ao sapo parecia-lhe que saía o sol outra vez.
 Estás seguro? Olha que i pode ser um som qualquer! Não! disse ele firme: é a letra mais bonita! e sei mais: remata em... mas estacou. Ela ficou intrigada. Em que?
 Bela! soltou ele, e calou, como envergonhado. Ela riu abertamente. Como gosto do teu riso!, disse ele. E tu como te chamas? perguntou ela curiosa. Ele encolheu-se outra vez, nas mãos dela. Não me é permitido... só o inicial... C!
 Sê? disse ela? Sê de ser? Se tu queres, disse ele... E aí ficaram ambos calados um bom bocado. Nas suas cabeças bailavam os significados das palavras: ser, querer...

  Se tu queres, eu sou! disse o sapo, encorajado. Quero! disse ela, com firmeza. O sapo saltou da sua mão, ficou diante dela: princesa, disse, eu também sou um príncipe... Ela ficou extasiada. Sim, continuou ele: como a ti, os poderes maléficos invejaram-me a juventude, e a beleza, e transformaram-me em sapo!
 Ela não pôde evitar um riso. Dou-te nojo? repetiu o sapo. Ela virou séria: quero-te, sapinho!
  Ele calou, a baixou-se um pouquinho, afinal disse: eu amo-te, princesa! Ela virou séria outra vez, nem triste nem alegre, mas séria.
  Como poderia eu te ajudar? perguntou ela. Não podes, respondeu ele. Só posso eu te ajudar, mas há uma condição. Qual é? quis saber ela. Ele ficou calado outra vez, também sério, também nem triste nem alegre: aginha vais saber.
  Passaram mais uns momentos, uns momentos que pareciam eternos; corria uma brisinha, o sol parecia quieto, mas mudou percetivelmente a inclinação dos seus raios.
  Ela, num impulso, acariciou o sapo; ele estremeceu-se, depois ambos voltaram ao silêncio, voltou a calma. 
 Ela olhou então arredor, demoradamente: o rio, as árvores, o céu: tudo parecia transformado. E... seria possível? Sentiu algo, algo como felicidade, seria possível?
  Imediatamente, com um pressentimento, virou para o sapo... e encheram-se-lhe os olhos de bágoas... mas bágoas de felicidade: compreendeu então. O sapinho já não estava lá! A sua forma desaparecera. Não ficava... nada! Ela chorou então: soube assim que o sapinho a amava, e que fez o sacrifício supremo: a sua vida em troco da felicidade dela...
  Pegou na viola, ainda lhe arrancou uns acordes, e continuou a chorar todo o caminho de volta, mas agora chorava de felicidade, ela por fim sabia! E os poderes do bosque sumiram para sempre, no Nada!
       A princesinha voltou, à sua casinha do bosque, enxugando ainda as bágoas; agora estava feliz, porque sumiram aqueles poderes do bosque que antes a tiveram encantada; mas também estava triste, porque desaparecera aquele sapinho engraçado que aparecera na sua vida; agora vinha-lhe, aos poucos, a memória: é que fora libertada do malefício pelo sacrifício do sapinho! E ainda lembrava, ou parecia-lhe ouvir? uma voz, aquela voz que lhe dizia: princesa! com firmeza, e com toda a sonoridade das belas sílabas: amo-te, princesa!
     Ela tocava agora a sua viola; lembrava velhas músicas, de beleza cativante; e também ensaiava agora as que ela compunha, saídas do seu coração; e que ressoavam suavemente no seu quarto; mas também, passeninhamente, voltava a lembrar os velhos poderes maléficos, agora idos da sua vida, para sempre, mas que deixaram na sua bela alma uma nódoa de tristeza, da que não se conseguia libertar: e então odiava-os, e no seu seio divino sentia erguer-se outra vez o velho ódio aos três velhos poderes, como se eles ainda estivessem ali com ela, violando a intimidade do seu quarto.
     Mas por onde poderiam ter entrado, pensou ela, se eu fechei tudo? Foi comprovar: com efeito, tudo estava fechado, bem se assegurara ela de trancar a porta por dentro. Ali não podia entrar ninguém. E ainda fez força, para se certificar...
     Mas então reparou que, tão bem se fechara por dentro, que agora não podia abrir, ainda que quisesse. Forcejou, mas não pôde abrir. Por um bocado, preocupou-se; mas, depois, pensou: tenho aqui tudo o que preciso: a minha viola, os meus vestidos... comida não preciso: sou princesa! e mais nada...
     Acabou por adormecer. Mas nos sonhos voltavam os maléficos, parecia-lhe invadirem a sua alcova de bela adormecida: acordou sufocada, deu um grito: no escuro parecia ver um bode medonho...
      Esfregou os olhos; então viu que, com efeito, ela estava só. Mas... não estava só. Soluçando, quis abrir a porta: e não pôde; quis fugir pela janela: mas era alta demais: temeu cair, mancar o seu corpo grácil, ficar atirada no bosque escuro, à mercê das feras que puderem rondar... Chorou.
      Então pareceu-lhe ouvir, ou lembrou? uma voz ténue, que lhe dizia: só eu te posso ajudar, princesa... Sapinho! exclamou ela; não via o sapinho, mas ele estava ali: estava dentro dela, no seu coração!
      E voltou a falar ele: princesa: ama! O ódio levar-te-á onde não queres ir!
      Passou o tempo. Ela deixou de chorar. Mas ainda lhe vinham uns soluços, cada vez mais apagados. Quero-te, sapinho! disse então em voz alta.
       Eu sei, princesa, conheço o teu coração: tu és incapaz de odiar: só ama! Eu amo, sapinho, disse ela, mas como amar? onde estás tu? Estou em ti, sou o teu amor, que luta por se libertar das trevas do teu passado. Mas como é que não te posso tocar? Não podes, princesa, esse foi o preço que eu paguei; mas eu sim te posso tocar: sente, princesa, o meu amor, no teu coração: ali estará sempre, aninhado, dando-te vida; esquece malefícios, esquece escuros: nada poderão contra o poder deslumbrante do amor: do teu amor...
    A princesa deixou de soluçar. Foi-se à janela. Abriu. Entrou o ar da manhã. Viu o amanhecer. Ouviu os primeiros passarinhos, a cantar. Depois correu à porta: num empurrão, conseguiu franqueá-la: estava livre! riu de alegria; obrigada, sapinho, disse sem saber bem a quem se dirigia.
   Que queres de mim, sapinho? O teu bem, princesa. Sapinho: eu queria que estivesses comigo sempre, disse ela. Sempre estarei, princesa, disse ele. Estarei no teu coração, para que nunca mais entre nele o ódio, para que só sejas capaz de amar. Amar, sapinho, mas... a quem? Não terias ciúmes?
   Por muito tempo, o sapinho nada disse. Depois, com voz trémula, sussurrou: assim tem de ser, princesa; e calou. E ainda disse ela: então não queres nada mais de mim?
     Outra vez calou o sapinho. Depois disse: quero! a tua felicidade... saber-te feliz é o que eu mais quero... E apagou-se-lhe a voz. Então ela, dentro do seu peito, sentiu um salto... ela sabia! Não te deixarei nunca, disse ainda o sapinho. Obrigada, sapinho, disse ela para si...
    A princesa sabia agora que podia amar, só amar, e que nunca mais seria capaz de odiar. E deixou aberta a janela...

Ps.Ilustrações de António Bártolo(artista plástico)
  

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Memorial Dos Esquecidos...Por Hilda Milk

Betinho andava sempre tropeçando pelas calçadas. Quando não era bêbado era drogado, e não ligava para nada...Todos o conheciam, pois morava na mesma rua havia mais de trinta anos.
Pois é hoje o Betinho caiu no meio do quintal de sua casa e morreu ali mesmo, o coitado...A  ambulância chegou e logo foi embora dizendo que o IML(instituto médico legal) viria mais tarde, buscar o corpo. Este fato aconteceu as cinco horas da tarde e o Betinho ficou estendido ali, até pelo menos as duas horas da madrugada.
Fiquei sabendo de seu falecimento quase que na "hora" mesmo.
O dia seguinte nos encarregamos de narrar tudo que podiamos lembrar da vivência de Betinho e cada um relembrava o fato corriqueiro ou engraçado compartilhado com amigos e vizinhos... Sabia-se instintivamente que esse era o dia de Betinho, como se fora uma última homenagem
A filha e o filho estavam chorosos mas Elvira, a esposa, não. Se alguém de fora achava aquilo estranho, não dizia nada. Elvira era mulher madura, com seus quarenta e poucos ainda conservava alguma beleza da juventude.Tinha qualquer coisa no olhar, parecia vazia e não triste, só vazia.
Quantas vezes ela tentou abandonar esse homem...Uma vez ela voltou por que ele ficou em coma internado por muito tempo, tinha tomado uma surra do irmão de uma amante. Noutra ocasião, ela teve de voltar por não conseguir dar conta do aluguel dos comodos que vivia, e do sustento dos meninos ainda pequenos.
Se já era difícil aguentar o marido bêbado, imagine aturar também a sogra, que vivia no mesmo quintal e era também uma alcoólica em tempo integral!
A morte é mesmo inevitável, viva bem ou viva mal, um dia voce morre e nem adianta fugir, se esconder ou precipitar as coisas.
Há pessoas que chegam até a dizer de que jeito querem morrer: _Eu quero morrer dormindo. _Gostaria de morrer sem dor.
_Quero morrer de surpresa. Adianto que os muitos que sofrem, não é por pedirem para morrer sofrendo.
Lembro-me de quando criança tínhamos medo dos velhos...Alias do que me lembro, parecíamos ter medo de tudo e todos nós crianças, não queríamos ser velhos nunca!
Mas voltando ao falecido Betinho...A sua filha, que está grávida, passou mal e teve de ser atendida as pressas no hospital.
A mãe dele, que está internada num abrigo de idosos agora, e milagrosamente estava sóbria neste dia.
A única irmã do morto, triste e infeliz também tentava parecer calma e administrar a situação toda. Desde que levara a mãe para morar com ela nunca mais soube o que era sorrir
Elvira que não aguentou mais a sogra, praticamente obrigou a irmã do marido fazer alguma coisa a respeito.A velha senhora ficou uns seis meses morando com a filha e finalmente  foi parar no abrigo de idosos.Contam que uma noite ela surrupiara uma garrafa de wisque e bebeu toda de uma vez e foi para o jardim gritar para quem quisesse ouvir que a filha, uma senhora respeitável, havia sido "puta" quando era solteira. É claro que omitira um pequeno detalhe, ela mesmo aliciara a filha para a prostituição.Tal revelação causou uma grande comoção, abalando a família, de fato que agora, a filha só vai ao abrigo para pagar a estadia da senhora.
Era um dia frio e cinzento esse, e o corpo do Betinho só foi liberado pelo IML as quatorze horas do dia seguinte.
Todos estavam agora muito silenciosos e contidos, cumprindo sua obrigação. Enterraram o Betinho e foram todos para as suas casas quase correndo enquanto o mundo desabava em chuva.
Mais um  que vai condenado, para o memorial dos esquecidos.

sábado, 10 de março de 2012

Guga Versus Mana...Principiado por Hilda



_Sabe a evolução de todos os seres, tenho uma teoria sobre o assunto Mana. A irmã olha para o irmão, e fica escutando.
_Pois é, todos acabaram se modificando forçados pela influencia do ambiente. sabe porque as girafas tem  o pescoço mais alongado? Porque ao comerem toda a pastagem rasteira tiveram que esticar-se, para pegar os arbustos mais altos.
Os tatus por exemplo,tiveram que se adaptar para viverem no subterraneo, por terem patinhas pequenas, adiquiriram as garras afiadas e uma visão noturna. E as formigas tão minúsculas e não menos incríveis, são capazes de carregar coisas enormes, e são surdas e quase cegas.
_E sobre os humanos, de quem somos, por acaso, parentes? _pergunta a irmã.
_Dos primatas ,claro. Ela pensa um pouco e logo retruca: _Então todos os primatas teriam de ter evoluido,não acha?
_Claro que não "cabeçuda" alguns não foram forçados.
_Então se trouxermos os macacos para viver na capital, logo eles vão estar usando gravatas e pedindo cafezinho no bar?
_Ahahahahha...Pode ser. Estudamos tantas teorias sobre a evolução que qualquer hora vão dizer que somos primos de amebas,
 É sempre divertido escutar o que os filhos tem a dizer. A imaginação das crianças é elástica  e constante.
Depois de algum tempo retomaram ao assunto, os dois.
_E se fossemos nós a morar na floresta? _Ahhh! Não estás pensando que voltariamos a andar de quatro ,está?
_Porque não? _Isso se chamaria retrocesso e não evolução.
_Seria a evolução do retrocesso então.
Enquanto preparava o almoço, a mãe os escutava se rindo discretamente.Aquela conversa era pura terapia gratuita.
_Já pensou...Sem hora de escola, vestir peles, sem tomar banho...
_Meu deus! Voce descende dos porcos isso sim. Ahahahhaha _Olha quem fala! Voce que dorme naquela  bagunça...
_E voce que nem lava a cara quando acorda! Nem corta as unhas se a mãe não te mandar.
_Mãeeee! A mana esta te chamando de porca. _E o mocinho da uma risadinha matreira. A mãe faz que não escuta.
_Nem falei na mãe seu bobão. _Claro que falou, se eu sou porco...
_Voce é adotado, não te contei esta parte? _Olha ela mãe!!!
_Chega de prosa instruitiva meninos.Lavando as mãos o almoço esta sendo servido. _O menino corre ao lavabo, para chegar primeiro e volta dizendo: _Estou cheio de fome, que vamos comer mãe?
_Fiz costeletas assadas._ Os dois irmãos se olham, e caem na risada...
_Que seja, vamos comer nossos ancestrais hoje. Quanta evolução!
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